Quando era criança, o que não faz muito tempo, uma coisa que me deixava muito admirado era a capacidade de voar. Lembro que na escola eu passava correndo entre os corredores, talvez na esperança de que em algum desses saltos eu finalmente pudesse romper com essa gravidade plástica que me prende ao fixo. Mas isso nunca aconteceu no mundo das coisas concretas. Outra memória que me recorria eram os saltos do teto da casa. Subia na laje do banheiro e pulava com um guarda-chuva na mão em direção aos colchões deitados no solo. Aqueles momentos foram meus primeiros rituais, meus primeiros exercícios de liberdade. Talvez eu sinta falta disso, mas substitui os saltos pelas palavras e os guarda-chuvas e colchões por caneta; o sentimento permanece.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
sábado, 19 de dezembro de 2009
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Marrom como o barro
Talvez tivesse esquecido de mim, de me reinventar e me recontar. Mas estou de volta. Ocasionalmente, o último post que havia escrito mencionava minha avó, e ela foi uma presença constante nos últimos dias em minha casa. Deveria ser esse um espaço de reflexão para os dias passados e meu estado atual, acontece que meu estado atual depende fundamentalmente dos fatos corridos no agora também.
Minha irmã deu a luz seu primeiro filho no último dia de novembro. Agora sou tio oficialmente que não dos meus alunos na escola. E ele recebeu parte do meu antigo nome. Deram-lhe por nome " Richard Arthur". Espero que seja uma criança abençoada, mas na verdade não era essa minha intenção ao escrever.
Tudo que acontece puxa uma história ou rende outra, não é verdade? Lembro de uma entrevista de um diretor brasileiro, acredito que o Jorge Furtado, falando que o sentido da vida seja contar histórias. Verdade ou não, não sei, mas acredito nisso em boa parte. Me excita a possibilidade de que ninguém vive as mesmas histórias, apesar das semelhanças. E como nós precisamos de histórias, sentir-se reconhecido na história dos outros é um achado!
exercícios de Liberdade - passeio ao Parque Zoo Botânico Arruda Câmara - 22.08.2009
Refletindo descobri que quando criança eu não era muito diferente do que sou agora. Sempre fui muito recatado, calado. Me comuniquei sempre com os pés e com os olhos,isso quer dizer que sempre fui de observar e recolher as imagens do mundo para o meu interior. E vejo que hoje as coisas são bem semelhantes. Ainda não aprendi a ser extrovertido, e isso me é bom. Preciso de uma medida de reseva para poder sobreviver. E é assim , me podando e me expondo. Fugindo e sobrevoando que eu registro meus sentimentos nos dias.
Me lembro que o pátio da minha primeia escola, o Concita Barros, era de barro laranja bem seco, com alguns cajueiros espalhados pelo espaço. As salas de aula eram bem convidativas: ricamente decoradas com toda sorte de ornamento: eram nuvens, sol e lua no telhado, passarinhos, borboletas e insetos nas paredes, relógio e calendários, e livros,muitos livros. Não haviam carteiras ou cadeiras na sala; só esteiras. Conversávamos, brincávamos e assim eu aprendia a ver o mundo. Eram pequenos exercícios de liberdade que com o tempo acabei perdendo o compromisso.
Agora atentei para recriar e reviver esses hábitos e exercícios de liberdade. Me permiti voltar a minha real condição de observador e cronista do que sinto e crio em mim.


